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T.O. domiciliar em pacientes com sequelas neurológicas

Terapia Ocupacional no atendimento domiciliar em pacientes com sequelas neurológicas de Acidente Vascular Encefálico

Maria Tereza Sales Furtado; Camila Ribeiro Rocha; Marilia Bense Othero.

INTRODUÇÃO

O cuidado domiciliar, segundo LACERDA apud CREUTZBERG (2000), é compreendido como uma atividade de acompanhamento a pessoas no tratamento, na recuperação e na reabilitação, respondendo às necessidades individuais e familiares, providenciando adaptações da estrutura física e auxiliando na adaptação da família à situação de cuidado, no contexto domiciliar. Deve contemplar as dimensões: biológica, psicoespiritual e sociocultural, bem como integrar o sistema de cuidado profissional de saúde com o sistema de cuidado popular exercido pelo grupo familiar ou rede de apoio social.

A autora ressalta que a atenção integral ao paciente e sua família só ocorrerá por meio de uma atuação em equipe multiprofissional, tendo o terapeuta ocupacional papel destacado na adaptação do ambiente, na utilização da tecnologia assistiva e na integração do idoso às rotinas familiares. O atendimento domiciliar proporciona ao terapeuta ocupacional um maior contato com a família do idoso, facilitando a aproximação da terapia com a realidade do paciente e colaborando na promoção e manutenção de laços afetivos entre idosos e familiares, garantindo o apoio destes e proporcionando esclarecimentos acerca das maneiras de lidar com os idosos com limitações. Ou seja, uma ação educativa com a família.

Uma das patologias mais prevalentes na assistência domiciliar é o Acidente Vascular Encefálico (AVE), que pode ser descrito como “déficit neurológico de início súbito causado por distúrbio vascular que acarreta a interrupção do fluxo sanguíneo para uma área específica, resultando em lesão cerebral e consequente comprometimento motor, sensorial, da cognição, da linguagem e da percepção visual” (p.188). O AVE pode ser isquêmico – interrupção de fluxo sanguíneo devido obstrução de vaso – ou hemorrágico – decorrente de ruptura da parede vascular (FARIA, 2007). Segundo a autora, a incidência anual da doença é de 1,8 a 2 casos para cada mil habitantes, e os dados estatísticos brasileiros indicam a incidência de aproximadamente 200 mil casos a cada ano. Ressalta-se a relevância epidemiológica e a importância de sistematizar as formas de tratamento e intervenção.

Nos pacientes com sequelas neurológicas as ações na assistência domiciliar são ainda mais complexas, pois a família deve estar esclarecida sobre a patologia e sobre como deve agir e tratar as barreiras e dificuldades, em conjunto com a equipe de reabilitação e médica. O acompanhamento em Terapia Ocupacional deve ser iniciado o mais precoce possível, com o objetivo de maximizar a desempenho ocupacional do paciente e resgatar sua independência e autonomia nas atividades de vida diária, de vida prática, de lazer e de trabalho, quando possível.

Atendimento em Terapia Ocupacional ao portador de sequela de AVE

Em maio de 2007 foi implantado o setor de Terapia Ocupacional na São Paulo Internações Domiciliares com o objetivo de oferecer assistência integral ao paciente e à família, contemplando cuidados que vão além das necessidades biomédicas do paciente. Desde o início, observou-se que a principal demanda atendida pelo setor eram os pacientes portadores de sequelas de AVE. Levantamento conduzido por OTHERO (2008) registra que 30,76% dos 68 pacientes avaliados pelos terapeutas ocupacionais entre os meses de maio de 2007 e maio de 2008 apresentaram sequelas de AVE. Trata-se de diagnóstico de mais prevalência, como demonstra o gráfico abaixo.

grafico2

No serviço de assistência domiciliar aqui apresentado, os objetivos da intervenção terapêutica ocupacional com o paciente portador de sequela de AVC são conscientização e orientação familiar quanto às necessidades do paciente; adaptação física, psico-emocional e social do idoso ao seu meio e em relação à sua atual condição; valorização dos aspectos culturais (hábitos e tradições), na busca de soluções de problemas; organização da rotina, busca de novos interesses e potenciais e proporcionar subsídios para que o idoso possa prover seu autocuidado.

A partir da avaliação do paciente e de seu contexto familiar, e de um acompanhamento regular com aproximadamente dois retornos mensais, as principais estratégias de atuação junto ao paciente portador de sequela de AVE serão:

  • Prevenção e correção de deformidades;
  • Estímulo à melhoria da função sensitivo-motora;
  • Treino para ganho da função física no hemicorpo afetado, ao máximo grau;
  • Exercícios e atividades para melhoria da destreza e habilidade no hemicorpo são;
  • Treino e orientação para melhoria da capacidade funcional nas atividades pessoais e da vida diária, utilizando, se necessário, adaptações que permitam independência;
  • Estimulação da capacidade para o pensamento organizador e abstrato;
  • Estimulação da capacidade para as tarefas domésticas com ou sem uso de adaptações visando uma progressiva independência;
  • Estimulação das funções cognitivas afetadas;
  • Orientação e construção de adaptações para melhoria da função da comunicação diante de uma possível afasia;
  • Desenvolvimento de atividades artesanais, lúdicas e expressivas permitindo uma nova situação nas habilidades;
  • Desenvolvimento de aptidões vocacionais e/ou profissionais através da simulação do trabalho; • Auxílio no planejamento das atividades domésticas e comunitárias;
  • Auxílio na adaptação psico-emocional frente às limitações.

RESULTADOS DA ATUAÇÃO

Com a atuação do setor de Terapia Ocupacional junto ao paciente portador de sequela de AVE, foi possível observar diversos resultados positivos. As intervenções em Terapia Ocupacional possibilitaram melhoria da qualidade de vida dos pacientes atendidos, com ampliação da independência para as atividades de vida diária através da prescrição de tecnologia assistiva, diminuição das situações de apatia, enriquecimento do cotidiano e aumento da circulação social.

Observou-se ainda melhoria da condição emocional geral, com diminuição de estados depressivos e ansiedade, resgate de atividades significativas e melhora das funções cognitivas. Promoveu-se saúde, havendo menor foco no adoecimento e maior validação do paciente como um sujeito (com valor, história, desejos), dentro de seu contexto familiar (OTHERO, 2008).

A Terapia Ocupacional tem sido comprovada como tratamento da mais alta eficácia em vários estudos e por diversos autores, que são unânimes em ressaltar não só os benefícios físicos advindos desse tratamento, mas como também os benefícios terapêuticos no caso de problemas sociais e psicológicos. O principal objetivo da Terapia Ocupacional é manter no paciente a vontade de viver, fazendo com que o mundo, para ele, continue povoado de finalidades. Sentindo-se útil e ativo, pois o tratamento retira o paciente da marginalização, decadência e tédio, certamente terá mais qualidade de vida, mesmo com suas possíveis limitações.

De acordo com relatórios do setor, também é significativa a queda do número de queixas familiares na empresa depois que a equipe de Terapia Ocupacional iniciou suas atividades junto aos pacientes, cuidadores e famílias. A satisfação do cliente aumenta com a existência de serviços diferenciados como estes. Além disso, havendo uma melhora emocional geral do paciente com a presença de outros estímulos e atividades em seu cotidiano, ocorrem influências em seu estado clínico, com melhora da capacidade funcional e de seu desempenho cotidiano. Com isso, também podem ser evitadas internações recorrentes (OTHERO, 2008).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sob o ponto de vista físico, o importante é o restabelecimento funcional máximo, manutenção das funções corporais, melhoria das funções dos músculos e articulações com o objetivo de conseguir alto grau de independência física, sobretudo em atividades da vida diária. Porém, as necessidades do paciente e de sua família vão para além disso.

Em pacientes acamados, por exemplo, é preciso preocupação constante com mudanças de posição na cama, tratamento da pele e exercícios físicos. É preciso também atentar aos aspectos emocionais e sociais, aos aspectos domiciliares, familiares, socioeconômico e às adaptações adequadas para as atividades da vida diária, que devem ser observadas com cautela, visando sempre ao aspecto preventivo de invalidez permanente. Isso porque nem sempre os pacientes com sequelas neurológicas aceitam sua condição física, sendo necessário um trabalho em equipe multidisciplinar para êxito no tratamento.

A atuação em Terapia Ocupacional, enquanto ajuda na promoção de melhoria da qualidade de vida do paciente, em âmbito integral, também viabiliza uma assistência domiciliar de qualidade porque elimina do tratamento custos desnecessários ao prevenir complicações clínicas e evitar internações recorrentes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CREUTZBERG, M. “… Tratar mais a pessoa idosa, sobretudo a que está acamada”: subsídios para o cuidado domiciliar. O Mundo da Saúde, São Paulo, ano 24, v.24, n.4, jul./ago., 2000.

FARIA, I. Disfunções Neurológicas. In: CAVALCANTI, A.; GALVÃO, C. Terapia Ocupacional. Fundamentação e Prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.

OTHERO, M.B. Terapia Ocupacional na Assistência Domiciliar. Perfi l e resultados. Maio de 2007 a maio de 2008. São Paulo Internações Domiciliares, 2008 (mimeo).

Artigo Publicado originalmente em: PRATA DA CASA 1. Escritas do Cotidiano de uma equipe que Cuida. SP: Oboré, 2008.

1 comment on “T.O. domiciliar em pacientes com sequelas neurológicas

  1. strongholdadmin 26 de janeiro de 2016 / Reply

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